O que aprendi no "LIMBO": Um workshop da Furtacor



É com muita alegria que me coloco a escrever a minha experiência ao longo desse breve workshop desenvolvido pelo Furtacor, workshop o qual participei juntamente com outros nove artistas de diversos campos possíveis e até de estados diferentes. Fotógrafos, designers, pintores, escultores, literários, etc. Uma boa amostra da diversidade cultural que temos no Brasil.


Sobre o workshop


O Laboratório de Investigações de Processos Criativos em Tempos Pandêmicos, ou LIMBO, foi um workshop promovido pelo Furtacor e, dividido em três encontros virtuais, teve como objetivo inicial discutir e apresentar as obras de cada artista quanto as questões do processo criativo por de trás de cada obra, ou seja, procuramos entender como são os caminhos percorridos pelos artistas, seja fisicamente e/ou mentalmente, até o ponto de conclusão. O projeto chegou até mim através das redes sociais e foi no Instagram que vi a chamada para inscrição que logo me interessei, submetendo três trabalhos produzidos a partir de março de 2020.


Sobre os trabalhos apresentados


O primeiro trabalho que submeti trata puramente do estudo da luz na fotografia tendo como motivo uma panela de barro, alho e cebola, buscando pela fotografia perfeita desde a iluminação até a composição. O segundo trabalho representa o período de estresse e medo, é um "autorretrato". O terceiro trabalho é sobre a minha mudança, física e mental, onde busco experimentar, através da fotografia, novas possibilidades sem me limitar a fotos comerciais e me afirmando como artista visual.

Alho e cebola, de João Vitor Soares
Autorretrato em preto e branco, de João Vitor Soares
Cadeiras, de João Vitor Soares

Além disso, ficou em destaque pra mim o trabalho da Vivian Siqueira e da Stéfani Agostini... A Vivian Siqueira trás para o palco do debate as relações de violência doméstica entre agressor e vítima, dentro do patriarcado, utilizando como meio de expressão o uso e/ou modificação de objetos como pregadores, que a transformam em uma performance, e também um exemplo com a cana-de-açúcar. No exemplo da cana-de-açúcar ela demonstra que o facão, sendo o agressor que corta e dilacera, transforma a cana em um facão também ao afiá-la com os cortes, entretanto a cana continua sendo cana mesmo que em um formato diferente. Isso trás reflexões, não?


Comendo cana de açúcar, Morte Doce, de Vivian Siqueira

Já em um dos trabalhos da Stéfani Agostini temos o uso das memórias maternais, principalmente fotografias, que são trabalhadas em tecidos onde, durante esse processo, altera-se a figura visual da sua mãe, criando uma poética a respeito da ausência materna, além de outras experiências também. É um trabalho super delicado e íntimo que acabei me identificando por não ter presente, no meu caso, a figura paterna.

Fotografia impressa em tecido com transferência a jato de tinta, Stéfani Agostini

Se você quer ver mais trabalhos incríveis dos outros artistas, Igor Degobi, Josélia Andrade, Mara Perpétua, Maria Ramos, Marina da Silva e Pedro Lima, você pode visualizá-los na exposição virtual no perfil do Instagram da Furtacor clicando aqui.


Sobre o Furtacor


O Furtacor é um duo de artistas, curadores, educares e pesquisadores da arte, Amanda Amaral, e Lindomberto Ferreira Alves, que atuam entre Vitória, no Espírito Santo, e em São Paulo, na região metropolitana. O duo foi criado em 2018, mais informações aqui.